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Quinta-feira, 22 de Abril de 2010
“A POESIA NASCE, NÃO SE APRENDE”

O canteiro foi sendo preparado pelos professores da EB 2,3 de Lajeosa do Dão. Há já algum tempo que era preciso dar voz a esta sementeira, feita de crianças ávidas de saber e de ouvir sempre mais e mais a respeito de um poeta, de um escritor, de um livro. Mas era necessário o espaço para desfrutar do belo, entrar nele e entoá-lo, ao jeito dos poetas…

Era necessário convidar alguém que lhes mostrasse o caminho da beleza da poesia, do silêncio dos espaços entre os versos, da musicalidade da rima e, sobretudo, da beleza das palavras, numa voz terna e maternal.

Convidámos a poetisa e esperámos, ansiosos, este maravilhoso dia para estarmos juntos na nossa simpática Biblioteca. Dia 20 de Abril, um dia feito de livros, de poesia, de “diálogos poéticos”, com a poetisa eleita: Filipa Duarte!

Engalanámos a casa e preparámos a mesa da poesia. A Filipa Duarte sentou-se à mesa e encetou “os diálogos poéticos”, lado a lado, com outros sempre presentes na poesia: a Sophia, o Miguel Torga, o Eugénio de Andrade, a Florbela Espanca, o Fernando Pessoa, o José Gomes Ferreira, o Jorge Letria e tantos outros com os seus poemas.

A sala encheu rapidamente e, feitos poema, os meninos e meninas emudeceram ao ver que a Filipa Duarte tinha os olhos cor do mar, os cabelos escuros e era, apesar do enigma da sua idade, uma criança feita poema, tal como eles. Falaram do Ulisses, viajaram no tempo e nos saberes, encenaram uma pequena peça, cantaram em jeito de “Rap” a Odisseia de Homero, cantaram um seu poema e fizeram-se às histórias de mãos dadas com a poetisa. Entraram no jardim encantado da Alice (no País das Maravilhas) e quiseram saber mais e mais… Como se inspirava, como escrevia, desde quando escrevia, do que gostava de fazer, quais as suas aventuras… Tudo.

Tudo desfilava por entre aqueles olhitos de meninos sorridentes do 4º, 5º e 6ºano de escolaridade. A Filipa Duarte encantou-os e começou a lançar as sementes à terra, com amor e carinho, falando do vento, do mar, das estrelas, da lua, do pensamento, da imaginação, do sentimento das palavras, a tal ponto que todos os presentes transbordaram de beleza e comoção!

Ao final da tarde, os pequenos grandes poetas do 4º ano, quiseram então ler-lhe as suas poesias ou até mesmo as dela, levantando-se um a um, num corrupio jamais visto naquela escola. Agarravam nas palavras e, tal como numa tela, combinavam as cores do poema, misturando a sua simplicidade, a sua ternura, a sua inocência com o dia-a-dia de uma escola. Desfolhavam os seus cadernitos e, de pé, lá diziam: “vou ler-lhe um poema da minha autoria”… Por entre as linhas e correcções a vermelho da sua professora, as sementinhas da poesia foram voando na sala…

Quando a campainha tocou não quiseram sair e choveram beijinhos, abraços e dedicatórias…

A Filipa Duarte tem razão: “A poesia nasce, não se aprende”, mas consegue-se semear no mais pequenino dos canteiros, sendo somente preciso “engenho” e “arte”.

Hoje, foi possível misturar todas estas sementes! Bem-haja à nossa jardineira Filipa Duarte e a todos os professores e colaboradores que ajudaram a preparar o nosso canteiro. Viva a poesia!                                                            

                                                                                                                                 Lúcia Almeida

 

 



publicado por lajeosadodao às 12:04
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